Mornas de Eugénio Tavares

Selecção: Cláudio Vítor Vaz

Tradução: Edson Brito e Dany Mariano

 

 

Força de Crecheu

Eugénio Tavares

 

Ca tem nada na es bida

Más grande que amor.

Se Deus ca tem medida,

Amor inda é maior...

Amor inda é maior,

Maior que mar, que ceu:

Mas, entre otos crecheu

De meu inda é maior.

 

Crecheu más sabe,

É quel que é de meu.

El é que é chabe

Que abrim nha ceu...

Crecheu mas sabe

É quel

Que q´rem...

Se ja´n perdel,

Morte ja bem...

 

Ó força de crecheu,

Abri ´n nha asa em flor!

Deixa ´n alcança ceu

Pa´n bá oja Nós Senhor

Pa´n bá pedil semente,

De amor coma es de meu

Pa´n bem da todo gente

Pa todo conché ceu!

 

 

Força de Crecheu

Eugénio Tavares

 

Não tem nada nesta vida

Maior que o amor,

Se Deus não tem medida

O amor ainda é maior

O amor ainda é maior

Maior que o mar e o céu:

Mas entre outros crecheu

O meu ainda é maior.

 

Crecheu mais doce,

É aquele que é o meu.

Ele que é a chave

Que abriu o meu céu...

Crecheu o mais doce

É aquele

Que me quer...

Se eu o perder,

A morte chega...

 

Ó força de crecheu,

Abre as minhas asas em flor!

Deixa-me alcançar o céu

Para ir ver o Nosso Senhor

Para eu lhe pedir sementes,

De um amor como este meu

Para vir dar a toda gente

Para todos conhecerem o céu!

 

 

Morna da Aguada

Eugénio Tavares

 

Se é para eu viver nesse mal

De não ter,

Quem eu quero,

Já quero morrer sem luz

Na minha cruz,

Nessa dor

Da minha vida

No martírio do amor!

 

Mas se é para morrer,

Para deixar,

Ai, quem eu quero,

(para outra gente vir querer!)

Eu quero viver nesse martírio!

 

Se é para esta tristeza de querer

Sem esperança,

Sem fé,

Eu quero o destino de ir,

De morrer,

De esquecer,

No momento de amor,

Uma vida inteira de dor!

 

 

Morna da Aguada

Eugénio Tavares

 

Se é pam vivé na es mal

De ca tem,

Quem que q´rem,

Ma´n q´re morré sem luz

Na nha cruz,

Na es dor

De dâ nha bida

Na martirio de amor!

 

Amá, se é pam morré,

Pam dixâ,

Ai, quem que´n q´ré,

(Pa oto gente bem q´ré!)

Ma´n q´ré vivé es martirio!

 

Se é pa es triteza de q´ré

Sem esperança,

Sem fé,

Ma´n q´ré destino de bai,

De morré,

De esquicê,

Num momento de amor,

Uma bida intero de dor!

 

 

No canteiro do meu peito

Eugénio Tavares

 

No canteiro do meu peito

Eu tenho um pé de roseira

Minha roseirinha

É, que é a rainha!

Que eu quero com todo o respeito;

Amar de qualquer maneira,

Eu só plantei roseira

No canteiro do meu peito.

 

Ao redor da minha rosa santa,

Eu tenho que ter outras plantas:

Carinhas pretas;

Como a violeta;

Chinelinhas cor de prata;

Umas braquinhas, outras mulatas...

Eu tenho que ter outras plantas

Ao redor da minha rosa santa...

 

 

Na cantero de nha peto

Eugénio Tavares

 

Na cantero de nha peto

´N tem um pé de rosera

Nha roserinha

É, que é rainha!

´N q´rel com todo rospeto;

Amá, de qualquer manera,

´N al pranta só rosera

No cantero de nha peto.

 

Rador de nha rosa santa,

´N tem que tem otos pranta:

Carinhas preta;

Coma violeta;

Chinelinhas cor de prata;

Uns braquinha, otos mulata...

´N tem que tem otos pranta

Rador de nha rosa santa...

 

 

Morna de despedida

Eugénio Tavares

 

Hora di bai,

Hora de dor.

Ja´n q´ré

Pa el ca manchê!

De cada bez

Que ´n ta lembra,

Ma´n q´ré

Ficâ ´n morrê!

 

Hora di bai,

Hora di dor!

Amor,

Dixa ´n chora!

Corpo catibo,

Bá bo que é escrabo!

Ó alma bibo,

Quem que al lebabo?

 

Se bem é doce,

Bai é maguado;

Mas, se ca bado,

Ca ta birado!

Se no morrê

Na despedida,

Nhor des na volta

Ta dano bida.

 

Dicham chora

Destino de home:

Es dor

Que ca tem nome:

Dor de Crecheu,

Dor de sodade

De alguém

Que´n q´ré, que q´rem...

 

Dicham chora

Destino de home,

Oh dor

Que ca tem nome!

Sofri na bida

Se tem certeza,

Morrê na ausência,

Na bo tristeza!

 

Morna de despedida

 

Hora de ir,

Hora de dor.

Já quero

Que não amanheça!

De cada vez

Que eu lembro,

Mais eu quero

Ficar e morrer!

 

Hora de ir,

Hora de dor!

Amor,

Deixe-me chorar!

Corpo cativo,

Vai tu que és escravo!

Ó alma viva,

Quem que já te levou?

 

Se voltar é doce,

Ir é magoado;

Mas, se não fores,

Não voltas!

Se nós morremos

Na despedida,

Senhor Deus na volta

Dá-nos vida.

 

Deixa-me chorar

Destino de homem:

Essa dor

Que não tem nome:

Dor de Crecheu

Dor de Saudades

De alguém

Que eu quero, e que me quer...

 

Deixa-me chorar

Destino de homem,

Ó dor

Que não tem nome!

Sofrer na vida

Se tem certeza,

Morrer na ausência,

Da tua tristeza!

 

 

Conta-me Crecheu

Eugénio Tavares

 

Conta-me minha crecheu,

Para que lado fica o céu;

Ama porque ele está a abrir.

Quando eu te olhar, sorria.

 

Ai, céu é paz.

Céu é graça, graça de amor!

Ou com prazer, ou com dor,

Céu vive no teu regaço...

 

O ceú no teu peito,

No teu olho preto...

Quando estamos nós dois a sós,

Nós estamos juntos no céu.

 

 

Contam nha crecheu

Eugénio Tavares

 

Contam, nha crecheu,

Pâ que banda é céu;

Amá pamode el ta abri.

Quando´n spiabo bo arri.

 

Ai, ceu é paz.

Ceu é graça, graça de amor!

Ou co prazer, ou co dor,

Ceu morâ na bo ragaz...

 

Ceu estâ na bo peto,

Na bo ojo preto...

Quando no estâ nos dos só,

No estâ na ceu mi co bó.

 

 

Não, ó menino não

Eugénio Tavares

 

 (A alma do malogro comandante

 Adelino de Oliveira)

 

Ó rosto doce de olhar maguado,

Essa tua preocupação,

Deixa-a para tráz!

Senhor Deus nos dá uma vida de paz,

O meu Pecado

De olhar magoado!

 

Não, ó menino não,

Sombra ruim foge daqui!

Não, ó menino não,

Deixa meu filho dormir...

 

Sono de vida, sonho de amor,

Ou graça, ou dor,

Essa é a nossa sorte...

Se Deus, mais tarde, mandar-nos a morte,

Quem tiver medo,

Vai morrer cedo.

 

Toma os meus ombros, encosta a cabeça,

Já dei-te peito,

Ama o regaço!

Ó espirito doce, não tenha pressa:

Deita com jeito,

Dorme na paz...

 

 

Ná, o menino ná

Eugénio Tavares

 

 (A alma do malogro comandante

Adelino de Oliveira)

 

Ó rosto doce de ojo maguado,

Es bo cudado,

Botal da traz!

Nhor Des ta dano um bida de paz,

Ó nha Pecado

De ojo maguado!

 

Ná, ó menino ná,

Sombra rum fugi de li!

Ná, ó menino ná,

Dixa nha fijo dormi...

 

Sono de bida, sonho de amor,

Ou graça, ou dor,

Es é nós sorte...

Se Deus, más logo, mandano morte,

Quem que tem medo,

Ta morrê cedo.

 

Toma nha ombro, encosta cabeça,

Ja´n dabo peto,

Amá ragaz!

Ó esprito doce, ca bo tem pressa:

Deta co geto,

Dormi na paz.

 

 

Morna di Bejiça

Eugénio Tavares

 

Bejiça é um amostra certo

Pâ no conta co morte perto:

Mas, sol de entardecer de idade,

Sol brando é el, sol de sodade.

 

Sol brando ca ta quemâ

Pele de rosto de nha crecheu.

Sol brando, el é sol de gosto

Pa ta lumiano porta de ceu.

 

Amor é aquel que ama co gosto:

Na boca mel, lebe na peto...

Amor é mar quando el ta manso,

Guême co gosto, ama no descanço.

 

Mar manso é quel mar de nadâ,

Mar brado é quel mar de matâ:

Amor, ai! Quando el é mar brado,

Se el ca matâ, el ta derrubado...

 

Amor, depos de um  certo idade,

Quando el sintâ co companhero,

Ninguem câ tâ ergue promero,

Sem que to dós mata sodade...

 

Sintâ junto, labantâ junto,

Es é que é sabe, es é que é dreto...

Sintâ co amor, gosâ co assunto,

Coraçam lebe, graça na rosto...

 

Crecheu é na debagarinho,

Na paz, na graça, na getinho:

Amor, pâ bo sentil sê gosto,

É na sombrinha de sol posto...

 

Mas, quando el é de barbatón,

É sem valor, sem tom nem som...

Nha fijo obi, obi um consejo:

Amor más doce, é amor de bejo..

 

 

Morna de Velhice

Eugénio Tavares

 

Velhice é uma amostra certa

Para nós contarmos com a morte por perto:

Mas, sol de entardecer a idade,

Sol brando é ele, sol de saudade.

 

Sol brando não queima

A pele do rosto da minha crecheu.

Sol brando é sol com gosto

Para iluminar a porta do céu.

 

Amor é aquele que ama com gosto:

Na boca mel, leve no peito...

Amor é mar quando ele está manso,

Geme com gosto, ama no descanso.

 

Mar manso é aquele mar de nadar,

Mar bravo é aquele mar de matar:

Amor, ai! Quando é mar bravo,

Se ele não matar-te, ele derruba-te...

 

Amor, depois de uma certa idade,

Quando ele está sentado com o companheiro,

Ninguém se ergue primeiro,

Sem que os dois matem a saudade...

 

Sentar junto, levantar junto,

Isto é que é gostoso, isto é que é direito...

Sentar com amor, gozar com assunto,

Coração leve, graça no rosto...

 

Crecheu é devagarinho,

Na paz, na graça, e no jeitinho:

Amor, para tu sentires o seu gosto,

É na sombrinha do sol posto...

 

Mas, quando ele é de peixe estrelinha,

É sem valor, sem tom  nem som...

Meu filho ouve, ouve um conselho:

Amor mais doce, é amor de velho...

 

 

 

Corda de Sacramento

Eugénio Tavares

 

 

Põe a corda no meu pé com jeito,

Para não magoar a minha ferida:

Dor de ferida é dor de vida,

Para doer mais profundo é no peito...

 

Põe de a corda devagarinho,

Para a minha carne não sangrar;

Eu, se já saí do caminho,

Nele é bom tornar a entrar...

 

Toma, já entreguei o meu pé,

Amarra ele com trinta nós

Junto contigo, sou eu sozinho;

Junto comigo, quem eu quero.

 

Nós homens somos como candeeiros

Com o destino de iluminar:

Iluminando de noite, de dia

Enquanto nós não apagarmos...

 

Ó corpo, ó corpo meu escravo,

Deita quietinho, calado:

Ó alma, deixa-me conciliar:

Voa livre, sem cuidado!

 

Essa corda de sacramento,

Ela vem, e vai no vento:

Mas, aquela corda de santa de amor,

Só Deus sabe o seu valor.

 

Corda de Sacramento

Eugénio Tavares

 

Pom corda na pé co geto,

Pa el ca manguam anha frida:

Dor de frida, ó dor de bida,

Pa el doe mas fundo é na peto...

 

Pô corda debagarinho,

Pa nha carne câ sangra;

Mi, se´n saí de caminho,

´N al sabe torna entra...

 

Toma, jam dabo nha pé,

Marram el co trinta nó:

Junto co bó, é mi só;

Junto co mi, quem que´n q´ré.

 

Nos home é comâ candia

Co destino de lumiâ: 

Lumiâ de note, de dia

Enquanto no câ pagâ...

 

Ó corpo, ó corpo nha escrabo,

Detâ quitinho, calado:

Ó alma, xam consejabo:

Buâ libré, sem cudado!

 

Es corda de sacramento,

El bem, el ta ba na bento:

Ma, quel corda santa de amor,

Só Deus sabe sê valor.

 

 

Despedida

 

(Marinheiros que partem)

 

Esta mágoa da minha partida

Ela está a matar a minha vida!

Se eu for, o remédio que há,

Em ir, é tornar a voltar.

 

Mas essa tristeza eu ir,

De eu largar a minha mãe,

Não é tão triste como a dor

De ir e deixar o meu Amor.

 

Cantemos com lágrimas nos olhos;

Dancemos com alma de hipocrisia:

Hora triste de partida

É hora de perder a vida.

 

Quem ficar, não vai:

Quem não for, não volta:

Força que me empurra para ir,

És tu, esperança de voltar!

 

Ó partir, ó partir, já és triste!

Ó ouro do mar, já és caro!

Ó voltar, ó voltar, já és doce!

Ó dia de voltar, já és claro!

 

 

Despedida

 

(Marinheiros que partem)

 

Es mágua de nha partida

El sâ tâ matam nha bida!

Se´n bai, ramede que tem,

É´n bai, ´n tornâ bem.

 

Mas es triteza de´n bai,

De´n bai pa´n larga nha Mai,

El ca triste comâ dor

De´n bai pa´n largâ nha Amor.

 

No cantâ co água na ôjo;

No bajâ co alma de nôjo:

Hora triste de partida

É hora de perdê bida.

 

Quem que ficâ, ca ta bai:

Quen que ca bai, ca ta bem:

Força que pincha´n pa´n bai,

É bo, esperança de bem!

 

Ó bai, ó bai, ja bo triste!

Ouro de mar, ja bo caro!

Ó bem, ó bem, ja bo doce!

Dia de bem, ja bo claro!

 

 

Eugénio Tavares,

O maior poeta cabo-verdiano

Cláudio Vítor Vaz

 

A vida de uma pessoa ilustre quase sempre acaba por se tornar uma lenda. Sabe-se muito sobre a origem deste poeta cabo-verdiano.

 

Sabe-se ainda mais quando se começa uma investigação. Das lendas aos factos...

 

Eugénio de Paula Tavares nasceu na Ilha Brava, arquipélago de Cabo Verde.

 

Os pais: Eugénia Roiz Nozolini Tavares, de descendência italiana, e Francisco de Paula Tavares, português de Santarém e comerciante na região de Cacheu, (Guiné-Bissau), dão as boas-vindas ao terceiro filho do casal no décimo oitavo dia do mês de Outubro do ano de 1867.

 

Os pais de Eugénio despediram-se do mundo pouco tempo depois; a mãe perde a vida no dia do parto, e o pai parte em seguida.

 

Cresce então o órfão autoditacta, o poeta mais emblemático de Cabo Verde. A Brava, berço cultural do arquipélago no século XIX, albergava funcionários do governo colonial e a cultura que estes puderam trazer dentro dos navios desde o Reino de Portugal.

 

Um ambiente propício para o desenvolvimento de uma mente que nascera  iluminada. Eugénio Tavares não freqüentou escolas na Ilha de Brava, mas contou com aulas dadas por padres e filósofos residentes na ilha.

 

Em 1876 realizou um único exame ministrado por funcionários públicos que exerciam a função de professores nas horas vagas. O resultado é publicado no Boletim Oficial do mesmo ano. Eugénio obtém aprovação com 18 valores.

           

Demostrando um gosto pela poesia desde muito jovem, Eugénio Tavares estreia seu conhecimento no "Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro" em 1882, época em que decide partir para outros portos.

 

Busca o Porto Grande do Mindelo, na Ilha de São Vicente. Entreposto cultural, porto das rotas marítimas que cruzavam todos os oceanos do mundo, o Mindelo era como um “ponto de encontro de navegadores”, um “pub” a céu aberto onde as mentes se embriagavam com a variedade de pensamentos. Ali começou a beber a mente do jovem poeta; aprendeu línguas, fez contactos, conheceu mulheres...

 

Foi apresentado à boémia do conhecimento, mas não ancorou o barco da sua vida por ali.

 

O poeta queria conhecer as suas origens. Mudou-se para a Ilha de Santiago. Conheceu um outro entreposto, mais ligado a África, o maior entreposto de  escravos do mundo.

 

Conheceu de perto a cultura do “badiu”, palavra crioula originada da palavra portuguesa “vadio”, como era chamado o negro que fugia da  escravidão e se refugiava no interior da maior ilha de Cabo Verde.

 

A vida no interior de Santiago não era fácil; sem comida, sem água, sem protecção... por isso a palavra “badiu” tornou-se sinónimo de pessoa corajosa e lutadora. Este foi o espírito que Eugénio encontrou no Tarrafal.

 

Na segunda década da sua vida regressou para a ilha Brava. Ali foi trabalhar como funcionário público, mas foi o jornalismo que desempenhou com mais dedicação, fazendo da profissão liberal a arma de luta contra as injustiças que assolavam o seu conceito de nação cabo-verdiana.

 

A língua crioula é o componente escolhido para solidificar a sua concepção.

 

Conta verdades, faz jornalismo, cria inimigos. O Governo Geral censura-lhe o que lhe era vital divulgar: a situação do seu povo. Não se cala, não pára, não desiste. Escreve num texto dirigido ao Governador de Cabo Verde de então, Cesário de Lacerda, as linhas que marcaram o tactear mais sólido do sentido de nação que vinha a idealizar.

 

Esta é uma parte do artigo publicado em 1900 na Revista de Cabo Verde: "...Eu exijo para o povo aquilo que de direito sei ser do povo... Por isso

exijo; não peço... Quereis saber quem sou eu para exigir? SOU UMA VONTADE E, POR CONSEGUINTE, UMA FORÇA". Eugénio Tavares é perseguido.

 

Dotado de uma esperteza natural e dum bom sentido de humor, disfarça-se de viúva do campo e foge por entre as tropas que o procuravam na casa de um amigo.

 

Eugénio refugia-se no exílio. Vai para os Estados Unidos da América do Norte. Leva consigo a dor da partida, a sua causa e o jornalismo. Escreve a morna “Hora di Bai”.

 

Em New Bedford funda o jornal Alvorada ainda em 1900. Recolhe colaborações escritas e o afecto dos emigrantes locais. Colabora também com o jornal praiano "A Voz de Cabo Verde".

 

Exprime outra vez, em solo cabo-verdiano, sua luta pelos direitos do povo e a defesa do regime republicano. Regressa definitivamente à terra natal em 1922, depois de ser absolvido das acusações que o levaram a exilar.

 

Eugénio Tavares é saudado como grande poeta em São Vicente, e como filho pródigo na Brava. Retira-se para a casa herdada do seu pai, na praia da Aguada,

e dedica-se à poesia. Escreve a Morna da Aguada.

 

Envelhece o corpo do poeta, mas não a mente e o coração. O seu amor pela beleza, pelas mulheres e pela vida alcançam um tom mais refinado, subtil e requintado, numa simplicidade que só os grandes escritores conseguem expressar. Escreve a Morna de Bejiça.

 

No dia 1 de Junho de 1930 o coração de 63 anos do poeta pára de bater e de criar mornas. As mesmas mornas que ele criou para embelezar a vida, decoram

a rua, juntamente com as flores e os rostos saudosos, no cortejo do seu funeral. Antes de falecer, entrega ao amigo José Osório de Oliveira uma compilação das suas mornas preferidas escritas em crioulo, para serem publicadas em Portugal.

 

O poeta sentia a morte por perto. Em Março do mesmo ano da sua partida, assinava o prefácio da obra “Mornas, Cantigas Crioulas”. Dois meses depois entrega sua alma ao Deus em que acreditava.

Eugénio Tavares morre na ilha onde nascera.

 

A história da sua vida será sempre recriada, não faltaram historiadores, amantes da música, ou estudantes curiosos para se emocionarem com a sua obra.

 

Eugénio Tavares usou o crioulo para unir o significado do seu povo, mas usava o português dos nossos pais para comunicar com o mundo.

 

Duas línguas, uma cultura. O poeta cabo-verdiano deixa a terra dos amantes vivos para ser amado por toda a eternidade. Cabo Verde orgulha-se por ter sido a terra natal  de “Nho Tatai”, o mundo lusófono agradece ao arquipélago por tão importante contribuição.

 

Nota. Para mais informações sobre a vida e a obra do escritor, poeta e jornalista Eugénio Paula Tavares, visite o website www.eugeniotavares.org, ou passe

alguns dias a conversar com os habitantes da acolhedora ilha da Brava, em Cabo Verde.